terça-feira, 2 de Janeiro de 2007

Rompimento

(Las tres parcas, Manuel Rodríguez Lozano)


Romper
Rasgar com os cânones
Com os ditados ralhados
As leis de homens doutos
... Mas nem por isso sábios

Romper
As linhas finamente traçadas
Neste esboço periclitante
Em desequilíbrio incessante
... A que alguém chamou vida

Um desejo de irromper
Por entre um cortejo forjado
Infantilmente subverter
Uma fila de rostos fechados
Fazer desabar castelos
Em areia levantados

A minha pele destila
Um cheiro de mudança
Mas uma castrante
Desesperança
Eclode
Nas pontas dos meus dedos
E impede-me de avançar

Será que algum dia
Deixarei crescer
Esta inconsequente criança
Que não se permite esquecer?
Será que algum dia
Me irei dar a conhecer
Sem jogos de palavras
Ou máscaras que só eu sei tecer?

Romper
Sem remorsos
Sem saudade
Sem lágrimas
... E emergir do vazio.

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