Se eu morresse hoje, agora, nem um segundo mais soprado em esforço,subitamente extinta no mundo que me acolhe...Faz amanhã 30 anos. Entra na terceira década de vida expectante... Tudo lhe tem chegado tarde, esperando então que esta etapa se mostre mais generosa e lhe conceda algo... "I still haven't found what I'm looking for".
Entra um pouco desfalacada. Há cheiro de angústia e de revolta abafada nas palavras que se desprendem. Pudesse a Vida ser uma entidade concreta e exigir-lhe-ia que prestasse contas. Há um sentimento inquívoco de injustiça, um descontentamento surdo pela trama que as Parcas tecem, cínicas e indiferentes.
Teve uma infância razoável, não guarda memórias tristes. Uma infância morna a que se seguiu uma adolescência fria, despida e cobarde. Nunca arriscou um não e talvez por isso não viveu os sins que calafetam o saco roto do coração. Apaixonou-se pela primeira vez já tarde e acabou cedo. Só resta um nome e um rosto embaciado.
Falamos de uma pessoa culta, razoavelmente inteligente, com sentido de humor, embora sarcástico. Já foi mais feia, bastante mais gorda. Já foi mais impaciente, mais irascível. E quando os seus instintos parecem roçar esse passado, o super-ego dispara.
Tem amigos verdadeiros, aqueles a quem não se escondem as coisas, nem as nódoas negras e contam-se algumas...
Dedicada à família, embora às vezes mais em intenção que em actos.
Eis um ser humano não brilhante mas nem por isso detestável. Sempre dado à melancolia...
Profissionalmente não é má mas não sem a vocação suficiente para ser excelente. Multiplica-se por vários hobbies e interesses. O que ganha, gasta mas não tem luxos ou excentricidades.
Se tivessemos que a caracterizar hoje, muito brevemente que diriamos?
Tanto de valente como de insegura, de capaz como de insuficiente. Eis Vanda, aquela que tatuou perfeição no corpo... o que por si só denuncia o seu carácter irónico. No seu epitáfio deverá constar:
"VJ, viveu a vida q.b.
Para não enjoar!"
PS: E que seja ouvido Jeff Buckley a cantar Hallelujah